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Artigos Social Contábil

Conteúdo prático sobre registros, controles, demonstrações e prestações de contas de organizações sem finalidade de lucros.

CEBAS e regularidade institucional

CEBAS: cinco cuidados da diretoria antes de pedir ou renovar

Para quem dirige uma ONG, associação ou fundação, preparar o CEBAS deve fazer parte da gestão. Reunir arquivos perto do protocolo costuma revelar diferenças entre o que a entidade realiza, o que relata e o que registra na contabilidade. Uma revisão antecipada ajuda a identificar essas pendências.

1. Entenda a relação entre certificado e imunidade

A Lei Complementar nº 187, de 16 de dezembro de 2021, trata das entidades beneficentes nas áreas de assistência social, educação e saúde. Seus arts. 2º e 3º vinculam a imunidade de contribuições à seguridade social à certificação e ao atendimento cumulativo dos requisitos legais. Ser uma entidade sem fins lucrativos, por si só, não comprova esse enquadramento. Consulte o texto da lei no Planalto.

A IN RFB nº 2.110/2022, art. 187, na redação consolidada da Receita Federal, detalha esses requisitos. Entre eles estão a aplicação dos recursos nos objetivos institucionais, a regularidade perante Receita Federal, PGFN e FGTS, a escrituração regular e a vedação à distribuição de resultados. Por isso, a diretoria deve acompanhar essas condições durante a rotina da organização, além de guardar o certificado.

2. Identifique a área e o canal responsável

A certificação considera a atuação efetiva da entidade. Quando há mais de uma área, a LC nº 187/2021, art. 35, relaciona a preponderância à maior parte dos custos e despesas nas ações institucionais. A escolha do canal precisa refletir esses registros.

3. Confira a representação e os documentos institucionais

Como rotina de preparação, confira se o estatuto disponível é o registrado e se a ata de eleição corresponde ao mandato de quem representa a entidade. Organize certidões, identificação da organização e comprovantes exigidos pelo ministério competente. A lista do MDS inclui estatuto, ata, relatório de atividades, demonstração do resultado e notas explicativas; outras áreas têm exigências próprias.

Uma pasta com responsáveis definidos facilita localizar o documento certo e responder a eventuais solicitações de complementação.

4. Faça os relatórios e a contabilidade explicarem a mesma atuação

O CFC orienta que entidades sem finalidade de lucros mantenham contabilidade regular, independentemente do porte, observando as Normas Brasileiras de Contabilidade. Também destaca a divulgação da renúncia fiscal nas demonstrações e nas notas explicativas, conforme a ITG 2002.

Na revisão interna, peça que a equipe responsável pelas atividades e o contador comparem os períodos, as áreas atendidas e as informações de gratuidade. O relatório deve descrever o que foi realizado, enquanto os registros contábeis demonstram os recursos envolvidos. Divergências precisam ser esclarecidas com documentos de suporte.

5. Acompanhe validade, protocolo e comunicações

Como boa prática de gestão, mantenha um controle da validade do certificado, do protocolo de renovação, das notificações recebidas e das respostas apresentadas. Defina quem consulta o sistema e quem reúne os documentos solicitados. Antes de protocolar, confirme os prazos e as regras aplicáveis ao caso nos canais oficiais.

Para a próxima reunião da diretoria: peça um levantamento com três itens: documentação disponível, pendências identificadas e responsável por cada providência. Esse controle é uma recomendação de organização interna e não substitui os requisitos específicos da certificação.

Fontes oficiais consultadas em : Planalto (LC nº 187/2021, arts. 2º, 3º e 35), Receita Federal (IN RFB nº 2.110/2022, art. 187), CFC e canais do MDS, MEC e Ministério da Saúde, vinculados ao longo do texto.

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Controles contábeis

Segregação contábil: por que separar projetos e atividades?

Uma entidade pode administrar, ao mesmo tempo, recursos próprios, doações, subvenções e diferentes parcerias. Quando tudo é lançado sem identificação adequada, a gestão perde a visão de quanto cada atividade recebeu, consumiu e ainda possui disponível.

A segregação permite acompanhar receitas, despesas e saldos por projeto, fonte de recurso e área de atuação. Na prática, isso pode ser estruturado por contas contábeis, centros de custos, projetos ou uma combinação desses controles.

O que deve ser identificável

Ponto de atenção: a estrutura precisa permitir a ligação entre o lançamento contábil, o documento comprobatório, o extrato bancário e o instrumento que autorizou a despesa.

Referência: norma do Conselho Federal de Contabilidade para entidades sem finalidade de lucros.

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Parcerias e convênios

Prestação de contas: documentos que devem conversar entre si

Uma prestação de contas consistente não depende apenas de reunir notas fiscais. Ela precisa demonstrar uma sequência lógica: previsão no plano, contratação ou aquisição, pagamento, registro contábil e entrega do objeto.

Monte uma trilha documental

  1. confira se a despesa está prevista e é compatível com o objeto;
  2. preserve contratos, cotações e autorizações exigidas;
  3. vincule o comprovante fiscal ao respectivo pagamento;
  4. concilie a movimentação com a conta bancária da parceria;
  5. registre a despesa no centro de custo e projeto corretos;
  6. arquive evidências da execução e do resultado alcançado.

Essa organização reduz retrabalho, facilita a análise da administração e permite explicar rapidamente qualquer diferença entre o financeiro, a contabilidade e os relatórios do projeto.

Cada instrumento pode trazer regras específicas. O plano de trabalho, o termo celebrado e o manual do órgão concedente devem ser consultados antes da execução.

Referência: Manual MROSC — Transferegov.br.

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Demonstrações contábeis

Fechamento anual: um roteiro para entidades

O encerramento contábil começa antes do último dia do exercício. Um cronograma prévio permite buscar documentos pendentes, revisar restrições e corrigir classificações enquanto as informações ainda estão acessíveis.

Checklist essencial

Nas entidades sem fins lucrativos, a linguagem das demonstrações também deve refletir sua natureza: patrimônio social e superávit ou déficit, em lugar das denominações típicas das empresas com finalidade lucrativa.

Boa prática: mantenha uma pasta de fechamento com composições de saldo, conciliações, contratos relevantes e a documentação usada nas notas explicativas.

Referência: Conselho Federal de Contabilidade.

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